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quinta-feira, 26 de julho de 2012

"Ninguém aguenta mais tanto partido político no Brasil"


Se depender do PMDB, o cenário político brasileiro será outro após as eleições municipais de outubro. Presidente nacional da sigla, o senador Valdir Raupp (RO) encampou a bandeira pela redução do número de partidos no País - atualmente são 30 - e propôs recentemente a fusão do PMDB com outras seis siglas. Em entrevista ao Terra, ele disse que "ninguém aguenta mais tanto partido político no Brasil" e que a união das legendas vai se efetivar, independente dos resultados do pleito.

O PMDB sempre "usa" os partidos para alianças
  Raupp, que se licenciou do Senado esta semana para se dedicar à campanha eleitoral, disse que as tratativas estão em andamento, mas devem ser concluídas somente depois da eleição. "Mas isso não significa que o resultado da eleição vai interferir nisso. Claro que todos os partidos esperam um bom desempenho, mas independente disso, a fusão vai acontecer", afirmou. Ele ainda ressaltou que, embora o PMDB converse com seis siglas, não há previsão de se confirmar aliança com todos. "Pode ser que essa união se confirme com dois, três partidos", afirmou.
Divisão de poder e de Verba partidária
 Para o peemedebista, a fusão fortalece o papel dos partidos, que perderam sua relevância nos últimos anos. "Eu acredito nas fusões, não só com o PMDB, mas também entre outras correntes porque ninguém aguenta mais essa quantidade de partidos. Hoje chegamos a ter alianças de 20 siglas em uma chapa para prefeito, temos 22 bancadas na Câmara Federal. Daqui a pouco cada sindicato vai ter o seu partido. A coisa está ficando muito complicada", disse, ao evitar fazer criticas diretas ao recém-criado PSD, legenda comandada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Divisão de poder e de Verba partidária
  "Se formos analisar outros países, o Brasil hoje deve estar batendo o recorde do número de partidos disputando eleições. E isso começa a comprometer o nosso regime democrático, porque não existe mais ideologia partidária, isso acabou. Como vai ter ideologia para 30, 40 partidos diferentes? Isso está passando do limite, chegou a hora de fazer uma reforma e mudar isso", criticou. Segundo ele, a fusão não vai comprometer "a história do PMDB", já que as siglas que devem se unir "compartilham do mesmo projeto". "Claro que teremos de reavaliar com todos o nosso estatuto e a estrutura", completou ao lembrar que a sigla "Partido do Movimento Democrático Brasileiro" será mantida.

Divisão de poder e de Verba partidária
  Entre os partidos que estariam na lista de Raupp - embora ele não confirme - estão o PP e o DEM, duas siglas que trabalham para não ter seu espaço ainda mais reduzido nas eleições deste ano, principalmente depois do surgimento do PSD. Secretário nacional do PP, Aldo Rosa concorda com Raupp sobre a necessidade de se evitar a proliferação de siglas, mas vê como um disparate a ideia da fusão.

O PMDB sempre "usa" os partidos para alianças
"Não posso afirmar que não houve nenhuma conversa com os representantes do nosso partido nesse sentido, mas a nível oficial isso é surpresa total. Da minha parte, uma fusão do PP com o PMDB soa como alto totalmente impossível, inviável e irracional. Só se o mundo estivesse acabando e todo mundo resolvesse morrer abraçado. Mas não existe essa possibilidade", ironizou. No entanto, o secretário-geral disse que se a iniciativa do PMDB for vista apenas como uma forma de reação contra a criação de partidos políticos sem nenhum controle, a ideia é positiva. "Esse problema se aprofundou com a criação do PSD, um partido sem ideologia. Se o PMDB estiver disposto a romper com essa lógica, tratando as fusões como uma forma de fortalecer os partidos no Brasil, sou favorável. Mas dizer que o PP vai fazer parte disso é outra história", completou.
O PMDB sempre "usa" os partidos para alianças

Também na lista das fusões, o DEM nega que esteja articulando uma fusão. De acordo com o vice-presidente nacional, José Carlos Aleluia, a sigla não teme perder espaço com a debandada de políticos para o partido de Kassab e acredita que o DEM sairá fortalecido das eleições deste ano, com a esperança de conquistar capitais importantes, como Salvador e Recife. "A fusão é um desejo do PMDB, que está cortejando a noiva, mas nós não temos nenhum interesse em se aliar a um partido que esta na base de sustentação do governo Dilma. Nosso projeto é alternativo", disse. Ele concorda que existem muitos partidos sem ideologia no Brasil, mas afirma que esse não é o caso do DEM. "Nós temos proposta, temos posição e não vamos virar mais um cacho do Lula".

O PMDB sempre "usa" os partidos para alianças
  Para o cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcus Ianoni, a fusão com o PMDB será mais fácil de ser aceita em partidos que não contam com um programa político consistente. "Acho que o interesse é maior nos partidos que têm pouca consistência ideológica, ou seja, nos partidos cujo programa não tem tanta diferença dos outros, partidos que são construídos mais para atender a interesses eleitorais de alguns grupos e pessoas do que para apresentarem projetos alternativos para o País".
Segundo ele, é preciso haver uma redução da fragmentação política. "Há uma consciência, tantos nos grandes como nos pequenos partidos, que o quadro partidário brasileiro é fragmentado, tem 30 partidos, nem todos viáveis eleitoralmente e que há espaço para um rearranjo dessas siglas através de fusões. A criação do PSD trouxe essa consciência à tona", concluiu.

Fonte: Portal Terra
Fotos: Google Imagens






















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